Acelerador de partículas brasileiro revela primeiras imagens da covid-19

By 14 de julho de 2020 Releases No Comments

Sirius analisou uma das principais proteínas do vírus e está à disposição de cientistas dedicados a estudar os detalhes moleculares da doença

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, realizaram os primeiros testes com o Sirius, acelerador de partículas brasileiro, usando uma proteína imprescindível para o ciclo de vida do novo coronavírus. Com estes testes foi possível criar um modelo 3D das estruturas da 3CL, uma das principais proteínas do vírus e com isso, pesquisadores poderão usar está informação para buscar novos medicamentos contra o vírus.

Ciência brasileira ajudará na busca de remédios para covid

O CNPEM abriu suas portas para receber pesquisadores envolvidos com projetos relacionados ao novo coronavírus no dia 13. A operação chamada “Manacá” coloca o Sirius  à disposição dos cientistas dedicados a estudar os detalhes moleculares da doença.

Com a produção do modelo 3D da estrutura 3CL do COVID-19 vai possibilitar o desenvolvimento de medicamentos que interferem na respiração viral e criar medicamentos mais eficientes contra o vírus.

Ana Carolina Zeri, pesquisadora que coordena a primeira estação de pesquisa do Sirius a entrar em operação. Ela explica que acelerador de elétrons ajuda a encontrar vulnerabilidades na estrutura do vírus e essas “brechas” podem servir para atacá-lo com medicamentos.

“As imagens que divulgamos neste primeiro momento revelam a estrutura de uma proteína de COVID-19 já conhecida e resolvida em síncrotrons de outros países. A reprodutibilidade de dados já bem estabelecidos evidencia que a primeira estação de pesquisa do Sirius a receber experimento está gerando dados confiáveis, conferindo segurança para a realização de análises inéditas, ainda em fase inicial de testes”, diz Zeri.

Para utilizar o acelerador de partículas os cientistas terão de enviar propostas de pesquisa para uma avaliação técnica dos especialistas. “Neste momento, consideramos que a máquina está em fase de comissionamento científico, realizando experimentos ainda em condições que impõem algumas limitações. Entretanto, em resposta à crise causada pela covid-19, optamos por disponibilizar antecipadamente essa ferramenta aos pesquisadores que já têm familiaridade com experimentos de cristalografia de proteínas, para que eles possam avançar no entendimento molecular do vírus”, diz o diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Harry Westfahl Jr.

A coordenação do projeto também conta que os primeiros resultados diferenciados devem ser publicados e compartilhados na força tarefa que envolve pesquisadores de todo o mundo.

“Além do nosso compromisso com a agenda pública de pesquisas com o SARS-CoV-2, o início da operação vai beneficiar a comunidade científica de todo o País. Pesquisadores poderão submeter propostas de pesquisa para utilizar essa linha de luz”, afirma Mateus Cardoso, chefe da divisão de materiais moles e biológicos do LNLS.

Fonte:

Exame;

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