Home office é novo indicador de desigualdade econômica no Brasil

By 1 de setembro de 2020 Releases No Comments
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O trabalho remoto, home office, cresceu muito durante a pandemia. Porém o home office necessita que o empregado tenha uma estrutura bem formada para adotar esse estilo de trabalho, e com isso os dados consolidados desse sistema de trabalho constituem uma espécie de novo indicador das desigualdades econômicas do país.

Em julho, no Brasil, havia 8,4 milhões de trabalhadores remotos (10% de todos os trabalhadores do Brasil) e desses, metade (4,9 milhões, 13% dos trabalhadores da região), estavam no Sudeste e apenas 252 mil (4%) estavam no Norte, fatia mais pobre do país. 

Na avaliação do professor João Luiz Maurity Saboia, da UFRJ, os dados do IBGE retratam o que se intui: o home office é um benefício adicional para os mais qualificados, especialmente para a parcela que tem curso superior completo e trabalham em empresas digitalizadas.

O pesquisador Daniel Duque, do FGV-Ibre (Insituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), reforça que pesa também a qualidade do acesso à internet. O fato de o Sudeste ter uma infraestrutura de rede mais ampla e conexões mais ágeis favorecem o teletrabalho na região. 

A leitura do economista Rodolpho Tobler, também do FGV-Ibre, é que a questão da informalidade talvez explique porque há tão poucos em teletrabalho na região Norte. Segundo ele, o emprego no Norte é mais informal, com ocupações mais difíceis de serem exercidas no trabalho remoto.

“Muitas das barreiras cognitivas que existiam, como a resistência para atuar fora da empresa por acreditar que iria causar algum tipo de dificuldade, foram superadas. Ficou demonstrado que é possível exercer algum tipo de gestão sem estar necessariamente do lado do funcionário”, disse.

Fonte:

Folha;

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